O Artista

Dinho Nascimento

Nasceu em Salvador, Bahia, em 1951, onde aprendeu a tocar berimbau e percussão nas “rodas de capoeira” e “manifestações de rua”. Estudou no Seminário Livre de Música da Universidade Federal da Bahia, participou de festivais estudantis e, no início dos anos 70 integrou o Arembepe, um grupo afro-rock com tempero baiano. Com o Arempebe foi para o Rio, depois São Paulo, conheceu o mundo artístico, profissionalizou-se músico, criou o berimbau elétrico e gravou dois compactos, disco com apenas duas faixas.

Iniciou sua carreira solo já morando em São Paulo.  Adepto das fusões musicais, o percussionista, compositor e cantor, capoeirista na essência, acrescentou novas sonoridades à música brasileira, especialmente ao fazer deslizar um copo na corda do berimbau para conceber a melodia do blues e ao criar seu berimbum, berimbau super-grave com corda de contra-baixo também citado na enciclopédia “Popular Music of the World” publicada por Richard P. Graham e N. Scott Robinson em Ohio, USA (www.nscotrobinson.com.br).

Dinho Nascimento possui três CDs: BERIMBAU BLUES (que mereceu o X prêmio Sharp de Música em 1997), GONGOLÔ, lançado em 2000, dirigido por Ronaldo Rayol, e SER-HUM-MANO, lançado em 2006, dirigido por seu filho Aluá Nascimento, todos do selo independente Genteboa e distribuídos no Brasil, pela Tratore.

Assina a maioria das composições que interpreta e das releituras que faz, sobressai “Banana Boat”, um sucesso de Harry Belafonte da década de 50, e as consagradas “Trem das Onze” de Adoniran Barbosa e “Berimbau” de Vinícius de Moraes e Baden Powell.

Em “Berimbau Trance”, Dinho Nascimento interpreta uma “batida techno” utilizando apenas instrumentos primitivos, orgânicos e acústicos. Em “Índia Ginga”, o berimbau dialoga com o sitar indiano de Krucis. E “Saci Pererê tem uma perna só”, parceria com Lumumba, resgata esta figura lendária no ritmo coco-capoeira.

Sua música “Quero Mais É Viver” foi vencedora do Festival Banespa em 1992. O fonograma “Berimbau Blues” integra duas coletâneas francesas: a Novo Brasil Nova, da Rádio Nova Brasil, e a Postonove4, da Favela Chic (produção Wagram); “Baronesa” participa da coletânea Hawaianas, Vida do Paraíso, lançada no Japão em 2005; “Saci Pererê Tem Uma Perna Só” integra a coletânea Music in Motion, Mixed Museum Volkenkunde lançada em 2007 na Holanda, assim como integra a coletânea Espaço Mamberti de Cultura, Música na Comunidade Vol 5, lançada em 2009.

A musicalidade de Dinho Nascimento reflete sua admiração e identidade com a capoeira e, reciprocamente, o leva a ministrar oficinas e a participar de festivais, seminários, batizados e outros eventos. Destes, destaca a Orquestra de Berimbaus que dirigiu para o Espetáculo Étnico apresentado aos presidentes dos países participantes da XIX Reunião do Conselho do Mercado Comum do Mercosul, realizado em Florianópolis – SC (2000); workshop e apresentação de sua performance no Meeting Internacional de Capoeira de Faro, Portugal (2003), no 3° Encontro Nacional de Capoeira, em Santa Cruz de Cabrália, Bahia (2003), em Hamburgo e Stuttgart ( Alemanha) e em Londres (Reino Unido) (2006), e no Candeias Open Internacional, em Goiânia, Goiás (2009). Atualmente, a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene, idealizada, coordenada e regida por Dinho Nascimento, tem reconhecimento nacional como Ponto de Cultura do Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura.

Estudou no Seminário Livre de Música da Universidade Federal da Bahia (de 1968 a 1971). Participou de festivais estudantis e, no início dos anos 70 profissionalizou-se músico integrando o Arembepe, um grupo afro-rock precursor do axé-music que em 1977 abriu o show dos Novos Baianos, no Teatro Municipal de São Paulo.

Participou em diversos eventos internacionais: FAN – 4º Festival Internacional de Arte Negra , Belo Horizonte (MG) – 2007; Festival Del Caribe, Santiago, Cuba – 2007; PERCPAN – Festival de Percussão Panamericano, São Paulo (SP) – 2007; Festival “Brasil Tô Dentro, music+art+football”, Londres – 2006; Copa da Cultura, Hamburg e Stutgard, Alemanha – 2006; Festival Internacional de Blues Latino, São Paulo (SP) – 2005; Festival de Inverno de Bonito, Mato Grosso do Sul – 2004; Fórum Cultural Mundial, São Paulo (SP) – 2004; e, Mostra Internacional de Percussão “Ritmos da Terra”, Campinas (SP) – 2002.

No Morro do Querosene (Butantã, São Paulo), Dinho costuma ensinar os meninos a construir e tocar seus próprios berimbaus, dirige a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene (Ponto de Cultura desde 2010), orienta o Treme Terra, coordena Rodas de Capoeira e Oficinas de Rua, organiza e participa de Festas Comunitárias e da Escola do Samba. O talento e a seriedade com que realiza estas atividades levou a Câmara Municipal de São Paulo a lhe conferir, em março de 2004, o título de Cidadão Paulistano.

Dinho Nascimento teve a oportunidade de acompanhar consagrados artistas da música brasileira, entre eles, João Donato, Tom Zé, Pena Branca e Xavantinho, Renato Teixeira, Inezita Barroso, Zé Ketti, Clementina de Jesus, Osvaldinho da Cuíca, Batatinha, Alcione, Marcos Suzano, Walter Franco, Flávio Venturini, Marlui Miranda, Tetê Spíndola, Bendegó, O Terço, Made in Brazil, Berimbrown, Vidal França, Renato Borghetti, Tião Carvalho, Toninho Carrasqueira, João Bá, Nasi e Lumumba. No cenário da música internacional, tocou com os instrumentistas Bill Close e Kewin Welch (EUA), Tim Winsey (Burkina Faso), Cheny Wa Gune (Moçambique) e, com a Frente 3 de Fevereiro, participou do Encontro de Agentes Culturais de Comunidades com Doudou Ndiaye Rose (2007).

Suas músicas despertaram o interesse de renomados coreógrafos e dançarinos, como Maria Duschenes, Ioshi Morimoto, Clive Thompson, Klaus Viana, Lia Robato, Júlio Vilan, Pitanga, Célia Gouveia, Maria Mommenhson, Denilton Gomes, e Sônia Mota.

No cinema, “Berimbau Blues” serviu para sonorizar um trecho do documentário “Cine Mambembe – o cinema descobre o Brasil” de Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi, além de inúmeros documentários para TV.

E na poesia, participou da solenidade “100 anos de Solano Trindade”, do tributo a Carlos Marighella realizado pelo “O Autor na Praça”, e do Sarau do Querô realizado pela Associação Cultural do Morro do Querosene em parceria com o Movimento Jovem Consciente.

Em 2011, Dinho  Nascimento foi um dos responsáveis pela “ManiFestAção em Defesa da Fonte”, fonte de água cristalina  e potável situada no Morro do Querosene, e musicou o espetáculo teatral “Peabiru, o caminho suave”.